
Masterclass com Federico Campagna, filósofo

Part 1 – 20 de Maio
Part 2 – 21 de Maio
Part 3 – 22 de Maio
Horário – 18h-20h
Vários locais em Montemor-o-Novo
Ponto de Encontro – Convento de S. Francisco
Sessões em inglês
Esta série de masterclasses parte de uma premissa simples, mas de grande alcance: aquilo a que chamamos “o mundo” não é algo que encontramos passivamente, mas algo que construímos ativamente.
A cada momento, organizamos o fluxo das nossas perceções numa paisagem estruturada de objetos, identidades e significados. Este processo é tão imediato e habitual que tende a desaparecer da nossa atenção, apresentando os seus resultados como se simplesmente estivessem lá.
Estas sessões procuram trazer essa atividade de volta ao foco e explorar o que decorre quando reconhecemos que o mundo é, neste sentido, construído.
Ao longo de três encontros, as masterclasses desenvolvem-se segundo duas linhas complementares. Recorrendo à filosofia, à antropologia e à experiência quotidiana, será analisado o modo como um mundo toma forma. A construção de mundos não começa com um raciocínio abstrato, mas com uma operação estética: a organização da perceção em aparências distintas. A partir desse gesto inicial, emergem estruturas mais complexas – decisões sobre o que existe, distinções entre sujeito e objeto, humano e não humano, passado e futuro, possível e impossível. Estas estruturas não se limitam a descrever a realidade; moldam as condições em que ela pode ser experienciada e sobre a qual se pode agir.
A segunda linha de investigação é prática. Se o mundo é construído, como o habitamos?
Reconhecer a sua natureza construída pode ser desestabilizador. Pode levar-nos a fixar mais rigidamente estruturas familiares ou a abandoná-las por completo, correndo o risco de desorientação. Estas masterclasses propõem uma abordagem alternativa, tratando o mundo como algo próximo de um jogo: estruturado e consequente, mas, em última instância, contingente. A partir desta perspetiva, será explorada uma ética do “jogo”, assente na leveza, na abertura e no compromisso de permitir a coexistência de múltiplos mundos sem os reduzir a uma única ordem supostamente objetiva.
As questões que orientam esta série são, assim, simultaneamente conceptuais e existenciais.
O que é um mundo, se não é simplesmente dado? Como produzem diferentes formas de organizar a perceção diferentes realidades? O que está em jogo nas escolhas que fazemos, muitas vezes sem dar por isso, quando dividimos e recombinamos o contínuo da experiência? E como podemos viver num mundo sem ficarmos encerrados dentro dele?
Estas questões assumem hoje uma particular urgência. Nos domínios da política, da tecnologia e da ecologia, os quadros que sustentavam um sentido partilhado de realidade parecem cada vez mais instáveis. Ao mesmo tempo, a linguagem da “construção de mundos” é amplamente utilizada, mas raramente examinada em profundidade. Como resultado, encontramos-nos a habitar mundos moldados por forças poderosas, sem dispor das ferramentas conceptuais para reconhecer ou questionar a sua construção.
Esta série propõe uma forma diferente de abordar esta condição. Em vez de perguntar qual descrição da realidade é “verdadeira”, desloca o foco para o modo como as realidades são feitas e para as consequências dos diferentes modos de construção de mundos. O seu objetivo é simultaneamente crítico e construtivo: revelar a contingência do que parece necessário e esboçar formas de construir e habitar mundos de modo mais consciente, flexível e criativo.
Terracronia é um projeto de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, inscrito no Livro de Candidatura.
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